Texto retirado do blog da Lucia Hippolito:
O PMDB não é mesmo para amadores. A lógica do comportamento do partido é coisa para profissionais.
Há décadas, o PMDB segue fielmente um mesmo script. Primeiro, perde a eleição para presidente da República. Em seguida, adere com elegância ao novo governo. Apropria-se de fatias importantes da máquina pública.
Mas nem todo o partido adere, evidentemente. Uma parte fica na oposição, “guardando lugar”.
Quando as eleições se aproximam, o PMDB começa a ficar nervoso, dá-lha uma coceira… E o partido cai na oposição.
Faz o maior número de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. Ah, também muitos governadores. Assim, credencia-se para ser cortejado pelo governo seguinte.
E segue o script.
Depois de participar do primeiro mandato do presidente Lula no velho estilo “metade lá metade cá”, o PMDB fechou oficialmente uma aliança com o governo Lula, e todo o partido aderiu.
Todo não. Assim como a aldeia gaulesa de Astérix resistia a César, um pequeno grupo de senadores peemedebistas ficou, também oficialmente, na oposição.
Por mais juras de amor e promessas de procurar o bem do Brasil, sabemos bem qual é a “substância da galinha” desta coalizão: a partilha dos cargos públicos.
Evidentemente, o PT não gostou nada de ter que partilhar a máquina pública, que eles aparelharam com tanta dedicação durante o primeiro mandato do presidente Lula, com o PMDB, partido de gente experiente, conhecedora da máquina estatal, dos ralos por onde sai o dinheiro público. Um partido de profissionais.
A longa queda de braço entre a ministra Dilma Roussef e o senador José Sarney a respeito do preenchimento dos cargos no setor elétrico foi apenas um exemplo dos “desacertos” entre PT e PMDB. Ah, Sarney ganhou de ponta a ponta. Do ministro aos presidentes e diretores de estatais elétricas.
As eleições municipais de 2008 prometem novos embates entre os aliados. Isso porque o PT está ensaiando alianças com o PSDB em algumas capitais – e em cidades menores também, apenas não tão vistosas.
O PMDB acusou o golpe, e o Diretório Nacional vai recomendar “o máximo possível de alianças com o DEM”.
Nada sério, apenas o PMDB executando fielmente seu script: trata de garantir a eleição do maior contingente de prefeitos e vereadores, para sustentar sua posição e aumentar seu cacife em 2010.
Se o PT e o PSDB pensam que são espertos e conseguirão enganar o PMDB, poderão ter uma surpresa desagradável.
Como dizia o dr. Tancredo Neves, esperteza quando é muita, cresce e come o dono.
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